O Sistema Conselhos de Psicologia, composto pelos conselhos Federal (CFP) e Regionais (CRPs), assinou em conjunto com outras 24 entidades representativas da Psicologia brasileira uma nota de repúdio do Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira (FENPB) em resposta à criação de uma Frente Parlamentar em defesa da liberdade religiosa dos Psicólogos cristãos.
O Projeto de Resolução do Senado (PRS) n° 3/2026, apresentado pelo senador Magno Malta (PL-ES), alega perseguição, por parte dos Conselhos Regionais de Psicologia, a psicólogas e psicólogos que desejem associar sua fé à prática profissional.
Em nota, as entidades ressaltam que a matéria legislativa tenta impor à Psicologia, que é uma ciência consolidada e laica por definição e por determinação de seu código de ética, a intrusão de crenças e práticas que não se orientam pelo rigor científico.
"Essa guinada tornaria a Psicologia um campo de disputa de narrativas, e a avizinharia a práticas que transitam entre o amadorismo e o charlatanismo. Esse caminho comprometeria a ética, a qualidade e a segurança do trabalho que oferecemos à sociedade", aponta o Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira.
O FENPB também apoia de forma integral em seu posicionamento a Resolução CFP nº 7/2023, que veda a associação de práticas psicológicas a quaisquer vertentes religiosas, e conclama as(os) integrantes do Congresso Nacional que valorizam a ciência, bem como o conjunto da sociedade e toda a categoria profissional, a se manifestarem contra a criação da frente parlamentar em defesa da liberdade religiosa de psicólogos cristãos.
"Nossa atuação profissional pauta-se pela aplicação de práticas seguras e devidamente fundamentadas cientificamente, testadas e validadas. Tentar impedir o CFP, autarquia pública e regulamentada que tem por dever orientar e fiscalizar a prática profissional, bem como a ação dos Conselhos Regionais, violenta seu caráter institucional e o direito da sociedade de contar com serviços responsáveis e cientificamente válidos", denuncia o FENPB e as entidades signatárias do documento.
Confira a íntegra da Nota de Repúdio à PRS3/2026